Recuperação de Casa em Abragão

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Uma casa modesta como tantas, onde algures se há-de encontrar uma lareira onde se cozinhava e se passava o tempo junto ao fogo.Assim o acusavam as paredes queimadas e pré-existencias: forno e pedra da lareira. Três espaços pequenos, um teto falso demasiado baixo para a altura das novas gentes. Janelas pequenas, que se revelariam suficientes ao imaginar um espaço de maior continuidade. A escala do existente e o programa apontavam, para um espaço aberto, quase um loft. Para passar uns fins dias tranquilos por Abragão. São essencialmente cinco layers que definem o ambiente que se pretendia:

1-Pé-direito total, assumindo interiormente a forma da cobertura de duas águas, pintado a uma cor escura (verde fumo), para que o pé-direito psicologicamente assuma duas alturas diferentes (total á luz do dia, reduzido à noite)

2- Paredes de pedra pintadas de branco, tal como outrora já haviam sido caiadas. O objetivo é maximizar a luz natural e artificial, prender o pó que o granito liberta, tornar o ambiente anterior mais doméstico.

3- Pavimento continuo  texturado e informal, que vá de encontro ao fluxo interior exterior que se adivinha numa casa de campo. Cimento afagado queimado em tom vermelho oxido. Técnica muito presente em cozinhas antigas.

4- Portadas pelo exterior para quebrar a entrada direta de sol na habitação, funcionando como um filtro de luz que é recebido pelas paredes brancas, criando uma atmosfera quente, vermelho-rosada no interior.

5- Parede divisória quarto/sala com tabique à vista na parte superior (timpano). Ao amanhecer riscos de luz invadem o teto do quarto, acusando naturalmente o nascer do dia. A cor escura definida para o teto, impede a difusão da luz, fazendo com que a luz que entre se defina como raios de luz cercados de escuridão, apenas presentes no teto. A escuridão necessária para manter o sono, mantém-se.

Na casa composta por dois pisos: piso superior habitação, piso inferior (cortes gado), pretendia-se inicialmente a recuperação de apenas um piso. Finalizado, partiu-se de imediato para o piso de baixo, que assume uma lógica distinta, e um ambiente diferente. São outros os layers que o definem.

O pé direito no limite do habitável, pedia a reflexão da luz para o aumentar (branco), as paredes teriam que contribuir (branco magnólia). A cozinha aberta para o espaço tal como no piso de cima, acrescenta a textura da madeira de castanho novo ao interior. O piso de baixo transforma-se num apartamento independente do superior. A casa de dois pisos desdobra-se num edificio de dois apartamentos. O espaço habitavel existente por baixo da eira, é imaginado como possivel terceiro quarto independente, é simplesmente um espaço habitavel, com uma casa de banho de serviço. Os arranjos exteriores começam a ganhar a sua forma, sublinhando a casa. Gosto de imaginar que o vermelho das portadas e da caixa de entrada é como o batom vermelho que uma velhinha põe nos lábios, orgulhosa da sua idade. A casa continua a ser velhinha, e é assim que ser ser vista. Maquilhada para receber a luz do dia, continua a ser quem era.

Raul

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